8 de março: quando as palavras também importam na luta por igualdade

Mudar o vocabulário é também mudar a história

Comunicação -
06/03/2026

O Dia Internacional da Mulher é além de uma data no calendário, é um marco histórico de resistência, conquistas e avanços que transformaram, e seguem transformando, a sociedade.

Em pleno 2026, falar sobre direitos das mulheres é, também, falar sobre linguagem, cultura e comportamentos que insistem em sobreviver ao tempo, mesmo quando já deveriam estar no museu.

O machismo contemporâneo nem sempre se apresenta de forma explícita. Ele não vive apenas nos grandes embates ou nas estatísticas alarmantes.

Muitas vezes, se esconde nas entrelinhas, nos comentários “sem intenção”, nas piadas repetidas à mesa do almoço, nas frases ditas com naturalidade no ambiente de trabalho ou nas redes sociais.

São palavras que, isoladamente, podem parecer inofensivas, mas que, somadas, constroem muros e não pontes.

Lugar de mulher é onde ela quiser

Expressões como “isso é coisa de mulher”, “esse trabalho não é para mulher”, “mulher não aguenta pressão” ou “nossa, ela foi bem masculina nessa atitude” revelam uma cultura que ainda tenta limitar, enquadrar e deslegitimar a presença feminina em espaços de decisão, liderança e protagonismo.

Outras, ainda mais comuns, reforçam estereótipos antigos, como questionar a capacidade da mulher ao volante, associar emoção à fragilidade ou sexualizar comportamentos e vestimentas como critério de credibilidade.

Não se trata de exagero ou de “falta de senso de humor”. A linguagem molda a realidade. Cada palavra carrega um peso simbólico e ajuda a sustentar estruturas históricas de desigualdade.

O machismo, afinal, não se manifesta apenas em grandes atos de violência: ele também aparece nas microviolências do dia a dia, nos gestos automáticos, nas falas repetidas sem reflexão. E é justamente aí que começa — e pode terminar — o problema.

“Diversidade é um tema de todos os dias. Quando a Comunicação se propõe a revisar linguagens, hábitos e narrativas, ela contribui diretamente para a construção de ambientes mais respeitosos e humanos. Esse é um compromisso que assumimos de forma estratégica e permanente na FUNCEF”, refletiu a coordenadora de Comunicação, Assunção Leal.

A mudança começa em nós

A boa notícia é que a mudança também começa pelas palavras. Questionar, rever e transformar o vocabulário é um passo concreto rumo a uma sociedade mais justa.

Quando deixamos de reproduzir frases que diminuem, descredibilizam ou enquadram mulheres, abrimos espaço para novas narrativas: mais plurais, mais respeitosas e mais alinhadas com os avanços conquistados ao longo das últimas décadas.

Esses avanços são muitos. As mulheres ocupam cada vez mais espaços no mercado de trabalho, na ciência, na política, na comunicação, na gestão e em todos os espaços.

Lideram equipes, empresas e projetos estratégicos. Influenciam decisões, produzem conhecimento, inovam e transformam realidades. Ainda que os desafios persistam é inegável que o caminho percorrido até aqui foi marcado por coragem, organização e resistência coletiva.

Iniciativa na FUNCEF

Nesse contexto, a Comunicação da FUNCEF e o Comitê ASGI (Ambiental, Social, Governança e Integridade) têm atuado de forma estratégica para ampliar o debate, informar e estimular reflexões sobre diversidade, equidade e inclusão.

O Plano Estratégico de Comunicação 2026 dedica destaque relevante a essas temáticas, reconhecendo que diversidade não é pauta de uma data específica, mas um compromisso permanente.

A proposta é revisitar hábitos, culturas e linguagens, incentivando uma mudança de mentalidade que se constrói todos os dias, no diálogo, nas atitudes e nas escolhas institucionais.

Esse posicionamento está plenamente alinhado às propostas ASGI, que orientam as ações da Fundação e reforçam a valorização da diversidade, o respeito às diferenças e o combate a qualquer forma de discriminação.

A FUNCEF reconhece que ambientes inclusivos são mais éticos, inovadores e sustentáveis e, por isso, valoriza e respalda iniciativas que promovem a igualdade de gênero e o fortalecimento de uma cultura organizacional mais forte e justa.

Chega deste vocabulário!

Apoiar mulheres não é gentileza, bônus ou concessão. É justiça. É reconhecer que igualdade de oportunidades fortalece organizações, economias e a sociedade como um todo. Quando as mulheres avançam, o mundo avança junto.

Neste 8 de março, mais do que homenagens, o convite é à reflexão e à ação. Que possamos virar a página do machismo, não apenas nas leis e políticas, mas também no discurso cotidiano e nas práticas limitantes.

Que possamos aposentar expressões que não nos representam mais e construir, palavra por palavra, uma cultura baseada em respeito, equidade e inclusão.

Porque mudar o vocabulário é, também, mudar as atitudes e a história.

Comunicação Social da FUNCEF

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