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Cenário desafiador reduz rentabilidade e reverte resultado no 3T21

Negociação de ações da Vale e compra de títulos públicos reduziram o impacto da virada na economia na carteira de investimentos

16 de Dezembro de 2021

iStock.com

A rápida virada das perspectivas econômicas no 3T21 fez recuar a rentabilidade dos investimentos da FUNCEF para 7,94%, abaixo da meta atuarial de 10,81%, o que representou um deficit consolidado de R$ 1,54 bilhão até setembro.

Apesar da reversão do resultado, os três planos de benefícios da Fundação, que somavam R$ 85,06 bilhões em recursos garantidores (RGPB) ao final do período, encontram-se distantes do limite legal que exigiria a implementação de novos equacionamentos.

O cenário de forte incerteza mostrou-se particularmente desafiador para os fundos de pensão por conta da aceleração da inflação, elevando as metas atuariais que já vinham em patamares superiores aos retornos oferecidos por títulos públicos de longo prazo.

Além disso, a Bolsa de Valores (B3) acumula cinco meses seguidos de queda desde a máxima histórica registrada em junho. No fim do 3T21, o IBrX-100, índice de referência da carteira de ações da FUNCEF, acumulava desempenho negativo (-5,99%).

Negociação de ações da Vale

A Fundação ajustou o seu portfólio ao cenário de forte incerteza e reduziu o impacto negativo provocado pela forte oscilação (volatilidade) nos preços nos mercados financeiros. 

Ao longo do primeiro semestre, a principal medida foi a negociação de R$ 6,2 bilhões de ações da Vale. Uma parcela desta realização de lucros foi reinvestida em renda variável e o restante em renda fixa.  

O movimento reduziu a concentração excessiva dos papéis da mineradora na carteira do REG/Replan, que caiu de 21% para 8,39%, enquadrando o ativo dentro do limite de 10% previsto pela Resolução CMN 4.661/18, que traz regras de investimentos aos fundos de pensão.

Mais importante, a estratégia de venda e o timing permitiram que a Fundação preservasse R$ 1,8 bilhão em recursos que teriam sido perdidos com a expressiva queda das ações da Vale depois de período de valorização entre o segundo semestre de 2020 e julho deste ano.

Apenas no 3T21, a redução no preço dos papéis foi de 25,69%, o significaria um impacto negativo de R$ 3,37 bilhões se as ações não tivessem sido negociadas, mesmo considerando-se os dividendos recebidos da Vale.

“Nossa missão é proporcionar retornos consistentes no longo prazo. Turbulências no curto prazo são naturais no mercado, por isso, o foco da Fundação está no desempenho do portfólio como um todo. E a estratégia tem de ter como base a diversificação em relação a setores econômicos e classes de ativos”, disse o presidente da FUNCEF, Gilson Santana.

Resultado dos investimentos

Entre janeiro e setembro, a Fundação aproveitou janelas de oportunidade para ampliar o volume de títulos públicos em carteira de R$ 33,2 bi, ao final de 2020, para R$ 36,8 bi no 3T21, alta de 10,54%, com destaque para NTN-Bs longas (títulos atrelados ao IPCA), que oferecem proteção contra a inflação, cupons semestrais e baixíssimo risco.

Neste período, também adicionou R$ 1,7 bilhão à carteira de títulos de crédito privado, que reúne ativos de empresas com nota de crédito alta e bem ranqueadas no mercado. O total investido nesta classe chegou a R$ 6,4 bilhões (+37%) no 3T21.

Puxado pela carteira de renda fixa (+9,72%) e pelo Fundo Carteira Ativa II, que concentra as ações de Vale (+11,43%), o retorno consolidado dos investimentos alcançou R$ 6,34 bilhões no acumulado até setembro, alta de 94% em relação ao mesmo período do ano passado.

Especialmente afetado pela pandemia, o segmento de investimentos imobiliários teve contribuição negativa (1,58%). Esse desempenho capta apenas o retorno da renda com aluguéis e a variação dos fundos imobiliários (FIIs). A reavaliação de preços de imóveis é realizada por meio de laudo no final do ano.

Em agosto, após 11 anos, a FUNCEF voltou a realizar investimentos em FIIs, com alocação total de R$ 120 milhões. O processo que envolveu estudos, revisões e adequações de procedimentos internos e a criação de área dedicada. Por conta das condições de mercado, não há previsão de novas aplicações no curto prazo.

 

Rentabilidade dos planos

O REG/Replan segue mais próximo da meta atuarial. As suas duas modalidades obtiveram rentabilidade de 9,56% (Saldado) e 7,81% (Não Saldado).

O plano concentra os investimentos em Vale e, por ser maduro, tem menor exposição à Bolsa além de carregar uma carteira de títulos públicos com retorno médio alto e marcados na curva, ou seja, que serão levados até a data de vencimento.

Novo Plano CD e REB CD, os planos mais jovens e com maior apetite ao risco, seguem sofrendo os efeitos das oscilações do mercado, especialmente no segmento de renda variável. Eles alcançaram retorno de 3,80% e 2,75% até o 3T21.

Num horizonte mais amplo de investimento, que considera os 12 meses encerrados em setembro, a rentabilidade das cotas sobe significativamente para 13,18% (Novo Plano) e 13,09% (REB) por conta do forte resultado do final de 2020.

Eficiência na gestão de custos

A Fundação segue colhendo resultados com a gestão eficiente de custos. Apesar da pressão inflacionária, a variação das despesas administrativas, que inclui pessoal e encargos, viagens, treinamento e serviços de terceiros, foi de 4,54%.

Isso representa uma redução em termos reais, ou seja, em ritmo muito inferior à inflação medida pelo INPC (10,78% nos 12 meses encerrados em set/21), indexador utilizado para reajustes de serviços e salários. 

O compromisso com o gasto eficiente tem impacto positivo direto no bolso dos participantes. A Fundação aprovou o sétimo corte seguido nas taxas de carregamento, que incidem sobre as contribuições e benefícios para cobrir as despesas decorrentes da administração dos planos.

Em 2022, essa taxa passará de 3,15% a 2,95% para participantes ativos e de 1,20% a 1,10% para aposentados e pensionistas. Em relação aos assistidos, o custo é paritário no caso de Novo Plano e REG/Replan Saldado e não cobrado no Não Saldado.

 

Desafios à frente

A FUNCEF tem acelerado uma série de medidas de gestão que buscam posicioná-la para enfrentar um cenário macroeconômico complexo e se adaptar às mudanças do segmento de previdência fechada. 

A Fundação aprovou recentemente uma Política de Conciliação, que promove e acelera acordos administrativos e judiciais em litígios que envolvam a Fundação, participantes ativos e assistidos, e a patrocinadora. Os planos de ação já aprovados incluem a renegociação de empréstimos FUNCEF inadimplentes e o Mulheres Pré-1978.

Na gestão previdenciária, a Fundação conduz estudos com vistas à incorporação do REB ao Novo Plano.

Na gestão dos investimentos, a FUNCEF foi favorável à reestruturação da Invepar, empresa investida do qual também é credora, operação aprovada unanimemente em assembleia que reuniu acionistas e debenturistas em setembro.

A medida equalizou a dívida da companhia, o que reduziu a possibilidade de perdas da Fundação diante de um eventual não pagamento das debêntures (títulos de dívida), com valores provisionados em R$ 502 milhões. O reequilíbrio operacional também afasta o risco de recuperação judicial imediata abre perspectiva de recuperação do ativo no médio e longo prazos.

 “A FUNCEF entende que esta foi a alternativa que melhor se ajustou aos seus interesses enquanto credora e acionista da companhia, reduzindo riscos de perdas maiores no curto prazo e criando condições para uma recuperação de valor por conta do potencial dos ativos remanescentes em carteira da Invepar”, explicou o presidente Gilson Santana.

Comunicação Social da FUNCEF

Tags: funcef investimentos planos de benefícios rentabilidade resultado 3T21

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