Logo funcef

Como se preparar para a terceira idade

Saúde, conhecimento, capital social e o financeiro são condições para envelhecer bem

06 de Março de 2020 - O Perfil do novo idoso

Img_noticias_envelhecer_bem.jpg

O perfil da geração 50+ não foge à regra dos contrastes e desigualdades própria da sociedade brasileira. Ao mesmo tempo em que parte dessa população ocupa as praças, aeroportos, academias de ginástica, cinema ou teatro, outra parcela sofre pela falta de preparo para o envelhecimento.

A reportagem da FUNCEF ouviu especialistas sobre as condições para que o brasileiro se prepare melhor para chegar à terceira idade. A saúde financeira figura em primeiro lugar entre os requisitos. 

“O perfil do brasileiro com mais de 50 anos pode ser tão maravilhoso quanto o de um escandinavo quanto pode ser tão miserável quanto o mais pobre do africano”, alerta o gerontólogo Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional de Longevidade Brasil (ILC, na sigla em inglês).

Reportagem_Especial4_Alexandre_Kalache.jpgFoto: Kassia Macedo e Verônica Bertoni

Kalache aponta quatro capitais fundamentais para envelhecer: saúde, conhecimento, capital social e o financeiro.

Margo_Karnikowiski.jpg
Foto: Kassia Macedo e Verônica Bertoni

O capital financeiro, ele diz analisar com apreensão porque, ainda que haja o desejo de se capitalizar, a realidade econômica do país não permite. “As pessoas estão endividadas. Hoje, 50 milhões dos brasileiros ou estão desempregadas ou estão na informalidade, não tem como acumular renda para a velhice. Essas pessoas vão enfrentar o envelhecimento sem o capital necessário”.

A professora Margô Karnikowiski, fundadora e coordenadora da Universidade do Envelhecer (UniSer), da UnB, concorda e recomenda que, apesar das adversidades, haja um esforço para se levantar uma poupança para garantir um futuro tranquilo.

“A velhice vai, necessariamente, requerer um aporte financeiro importante para se ter qualidade de vida. Sabemos que a saúde financeira depende de uma série de fatores. Por isso, deve haver uma preparação ao longo da vida para chegar à velhice de forma saudável. É necessário pensar na aposentadoria desde cedo e criar mecanismos para garantir uma vida confortável nessa fase da vida”.

Relações saudáveis

Ambos os gerontólogos afirmam que o “capital social” é o segundo fundamento a ser levado em conta para envelhecer bem. “Hoje, vemos famílias fragmentadas, muita violência, muita desagregação, o que é complicado pelo efeito nem sempre benéfico da modernidade”, aponta Kalache. Buscar manter relações saudáveis com as pessoas, dedicar-se a família e aos amigos, conviver bem e manter um equilíbrio emocional são as orientações da professora Margô, que também recomenda tomar cuidado com as ferramentas da modernidade, como as redes sociais, “que em alguns aspectos ajudam, mas, por vezes, isolam as pessoas”. 

Conhecimento é terceiro capital recomendado por Kalache. “Não é fácil. Hoje, quem perde o emprego aos 40 não consegue ser contratado porque está muito velho e ainda por cima não tem qualificações para competir no mercado. Precisamos de aprendizado continuado”.

Por fim, a saúde, tanto no que se refere às consultas médicas quanto aos hábitos cotidianos, surge como aspecto relevante. “A saúde tem que ser vista no contexto do dia a dia - como moramos e como nos movemos”, opina Kalache.

Margô diz que desde cedo é preciso abandonar o sedentarismo e praticar atividade física, buscar acesso a lazer e cultura e cultivar o hábito da boa alimentação. “Hipócrates já dizia: faça do seu alimento o seu melhor remédio”. Ela recorda ainda que o bom sono ajuda no metabolismo.

Leia mais:

Eles já são maioria no mercado consumidor

Comunicação Social da FUNCEF