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Eles já são maioria no mercado consumidor

Pesquisa aponta que maioria se aposenta mas mantem fontes de renda

06 de Março de 2020 - O Perfil do novo idoso

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A pesquisa Longeratividade divulgada pelo Instituto Locomotiva traz dados surpreendentes sobre os brasileiros maiores de 50 anos. Mostra, por exemplo, que a renda anual dos 50+ soma hoje R$ 1,8 trilhão, o que equivale a 42% do total de rendimentos no país. Entre as explicações, está o fato de que a maioria das pessoas que se aposentam, mantém outras fontes de renda, como previdência complementar, um novo emprego ou empreendedorismo.

“Essas pessoas querem trabalhar não apenas para melhorar a renda, mas principalmente para se manterem ativas”, comentou o presidente do Instituto de pesquisa e estratégia Locomotiva, Renato Meirelles, ao apresentar os dados.

Esta característica de querer se manter em movimento explica o nome da pesquisa – a junção da palavra longevidade com a geração da atividade. Os 50+ no Brasil seguem a tendência mundial de empoderamento desta geração que ostenta com orgulho os cabelos grisalhos e, por isso, vem sendo chamada de ‘gray power’.

“A potência dos brasileiros maiores de 50 anos reflete o que é hoje o maior mercado de consumo, que são os ‘gray powers’. A renda desses brasileiros é maior do que todo o consumo da classe C, que é a maior classe econômica”, acrescentou Meirelles. A Longeratividade diz que eles querem comprar novos móveis (32%), novo celular (12%), Televisão (12%), geladeira (11%). Notebook (11%). No setor de serviços, eles querem reformar a casa (24%), viajar (12%) e estudar (16%).

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E eles não movimentam apenas dinheiro. Mexem o corpo, a mente e o espírito, segundo a pesquisa. Consomem cultura, frequentam academias, jantam em restaurantes e dançam nas festas. “Hoje, a imagem da pessoa que já passou dos 50 anos não condiz com o que era no passado”, salienta o coordenador da pesquisa, ao apontar que a visão que os novos velhos têm de si confronta com o olhar da sociedade. “Falta inclusive mudar as placas [de sinalização, que ilustram a imagem do idoso com bengala em punho]. Essas imagens reforçam o estereotipo, o que contribui pouco para a valorização dos brasileiros maduros”.

Novo perfil

A Longeratividade aponta que os novos idosos saíram de uma posição de “ultrapassados, doentes e improdutivos” para “experientes, ativos e capazes”.

Com a autoestima elevada, 92% dos brasileiros com mais de 50 dizem ter orgulho das suas realizações. Outros 70% estão satisfeitos com o seu estilo de vida e 66% dizem estar bem de saúde. Nas relações interpessoais, eles também têm uma avaliação positiva de si mesmos. Dos entrevistados, 65% responderam que têm uma boa vida social e 73% têm muitos amigos, enquanto 63% estão felizes no amor.

Em contraste com a renda e com o entusiasmo, a pesquisa registra também que os estigmas persistem na sociedade brasileira. Um deles é a falta de planejamento. Cerca de dois terços dos entrevistados disseram que não possuem dinheiro guardado. Dos 35% que responderam positivamente a esta questão, apenas 13% têm guardado o suficiente para cobrir dez meses da renda atual.

Para Meirelles, os números mostram que “a discussão sobre o sistema previdenciário e a geração de renda para sustentar o Brasil - que está cada vez mais maduro - é fundamental” para inverter as estatísticas.

“Discutir a longevidade é entender que o futuro não é só amanhã. É entender que o futuro tem que ser planejado desde já. Por isso, a discussão da previdência no Brasil é uma questão chave”, completa.

Outro dado preocupante é a percepção de que a discriminação ainda impera, uma vez que 74% das pessoas com mais de 50 já presenciaram cenas de preconceito contra idosos. Explicado pelo medo de ser a próxima vítima, segundo Meirelles, apenas 10% dos 50+ admitem ser velhos. Além disso, o medo das mudanças no corpo ou de se sentirem feios figura em primeiro lugar na lista das principais preocupações quanto ao futuro, superando a falta de dinheiro e a solidão.

Comunicação Social da FUNCEF