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Saiba quais são os desafios da nova sociedade

Proximidade entre o ser humano e a tecnologia nunca foi tão próxima

22 de Abril de 2020 - A vida no futuro

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Desde o filme Metropolis, de 1926, especula-se como seria a cidade do futuro. Em 2026, ano em que se passa o filme, um pouco daquela cidade imaginária já será realidade, como os robôs e humanos interagindo. A Inteligência Artificial já saiu das telas e agora nos coloca bem próximos, graças à chamada Revolução 4.0, em curso no mundo inteiro.

Nunca, como agora, ficou tão clara a proximidade entre o ser humano e a tecnologia, em que a humanidade caminha para uma convergência cada vez maior entre o mundo virtual e o real. Por isso, a espécie vem sendo chamada de Homo-Tecno.

Martha Gabriel-divulgacao.jpgMartha Gabriel, futurista, especialista em mundo digital. Foto: divulgação

“O que a gente faz dessa revolução hoje é que vai determinar como será nossa vida em sociedade”, avalia a futurista Martha Gabriel. “Fala-se muito em smart saúde, smart educação, smart city etc, mas se não usarmos de maneira adequada essas tecnologias, poderemos estragar a vida no planeta”, alerta Martha, uma das maiores especialistas em mundo digital do Brasil, autora do livro Você, Eu e os Robôs.

“O futuro tem que ser ético e completamente sustentável, para oferecer uma vida melhor para o ser humano”, salienta, ao recordar que o governo japonês já planeja a sociedade 5.0, em que o que se busca são soluções tecnológicas para problemas sociais e ambientais.

A sociedade 4.0 abriu uma vastidão de possibilidades, que tanto podem ser usadas em benefício da humanidade e do próprio planeta quanto podem prejudicá-los ainda mais. Este é o grande desafio apontado por Martha Gabriel. Daí, segundo a pesquisadora, a importância de normativos como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), no Brasil ou a   General Data Protection Regulation (GDPR), na Europa.

“Tudo isso tem potencial para a gente ter uma vida maravilhosa no planeta. Mas também tem potencial de ter utilização errada. A tecnologia sempre traz cenários que enriquecem e que manipulam. Aí entram as leis de proteção de dados, dizendo o que pode fluir e o que não pode fluir”.

Ela cita o exemplo do deep fake, que consegue reproduzir a fala e até a imagem de alguém dizendo algo que, de fato, não disse. “É possível, com a Inteligência Artificial, reproduzir vozes do passado, criando algo que não existia e fazendo parecer real. É muito interessante que alguém possa conversar com um ídolo do passado como se fosse hoje”, comenta, ressalvando, no entanto, que essa mesma tecnologia poderia causar “um colapso na história”, ao fazer valer o registro de algo que não aconteceu. “A Inteligência Artificial pode gerar o pronunciamento de um presidente de um país falando coisas que ele não falou. Pode-se gerar conflitos, com isso, ou até guerras”.

A pesquisadora aponta ser este um dos grandes desafios da sociedade do futuro. “Será necessário desconfiar do que está se vendo, porque não é mais aquilo que é gerado por um processo crível”.

O outro, está no campo profissional. Com robôs fazendo quase tudo e prestes a superar a inteligência humana, o que sobrará para as pessoas? “Não brigue com a tecnologia, você não vai ganhar dela. Abrace a tecnologia, seja expert em seu uso. Acima disso, seja humano. Se você não quer ser substituído por um robô, seja humano, use o robô e coloque a sua humanidade acima dele”, é a dica da futurista, chamando atenção para algo que os robôs ainda não podem desenvolver: pensamento crítico.

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O professor Li Weigang, chefe do Departamento de Ciências da Computação da UnB e especialista em Inteligência Artificial, lembra que, enquanto algumas profissões como as de help desk, recepcionista, call center já estão sendo substituídas por robôs, outras oportunidades estão surgindo, como a de entregador, proporcionada especialmente pelo e-comercio. “A história mostra que sempre que surge uma nova tecnologia, há gente beneficiada e gente prejudicada. Os que ficam prejudicados têm que aprender as novidades e acompanhar o desenvolvimento das tecnologias, para se capacitar em uma área que surge e se habilitar para atender o mercado”, aconselha.

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