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Investimentos

Webinar FUNCEF: empresas de Venture Capital respondem rapidamente à crise

Soluções e modelos de negócios inovadores se destacam e sofrem menos o efeito da pandemia

26 de Junho de 2020

A crise atual deve ampliar o prazo de retorno dos investimentos dos fundos de Venture Capital de seis meses a um ano, mas a resiliência demonstrada pelas empresas investidas neste cenário complexo terá impacto muito positivo sobre as suas avaliações de preço. 

Esta opinião é compartilhada pelos gestores convidados do Webinar FUNCEF realizado nesta sexta-feira (26/6) pela Diretoria de Participações, o terceiro de uma série que está debatendo o efeito da pandemia da Covid-19 no mercado financeiro.

Para João Paulo Poiares Baptista, diretor-presidente da gestora Fin Health, Mauricio Lima, co-fundador e CEO do Invest Tech, e Piero Rosatelli, gestor da Oria Capital, as empresas de Venture Capital têm como característica comum a capacidade de oferecer respostas rápidas e inovadoras a mudanças, dada a própria natureza de seus negócios.  

Fundos neste segmento aportam recursos em troca de participações societárias em empresas emergentes, em geral de base tecnológica, que necessitam de investimento para alavancar produtos e serviços ou até mesmo criar mercados completamente novos. O risco maior é compensado pela alta expectativa de retorno.

Promovido pela Diretoria de Participações Societárias e Imobiliárias, o próximo Webinar FUNCEF irá avaliar o segmento de shopping centers em 3 de julho.

O encontro desta sexta, acompanhado ao vivo por 120 convidados, foi gravado e publicado nas redes sociais da FUNCEF. Abaixo seguem os principais trechos da conversa.

Como está sendo gerir um fundo de Venture Capital neste ambiente de pandemia?

Mauricio Lima - Os nossos ativos estão no ciclo de conquistar mercado e desenvolver relacionamentos com clientes. O bonito do nosso modelo, dedicado ao mercado corporativo, é que você tem contratos de longo prazo, relacionamentos que exigem pagamentos mensais, de alguma maneira você consegue financiar o cliente num cenário mais complexo, mas você continua tendo uma receita e uma rentabilidade.

Temos ativos em dois leques: empresas iniciantes, com faturamento anual de R$ 2 milhões a R$ 20 milhões, e maiores, de R$ 30 milhões/ano para cima. Por incrível que pareça, neste cenário, a média de crescimento das pequenas empresas está acima dos 40% ao ano, quando se compara de março até junho com o mesmo período do ano passado. 

Isso mostra a capacidade destas empresas de se ajustarem e capturarem oportunidades neste momento tão confuso. As maiores estão sofrem um pouco mais para continuar no ritmo, mas temos dois casos dentro de uma carteira de seis empresas que aceleraram o crescimento.

E estão batendo recorde atrás de recorde justamente por conta das soluções de digitalização para resolver problemas que começaram a aflorar depois da pandemia. 

As empresas de Venture Capital têm apresentado resultados melhores nesta crise. O sucesso relativo se deve mais a qual fator: o setor de atuação ou modelo mais dinâmico e inovador de gestão?

João Paulo Poiares Baptista – Um pouco dos dois. Uma coisa é clara: a rápida capacidade de resposta e adaptação a situações que ninguém conhecia ontem é muito relevante. Não podemos deixar de dizer que, neste momento, alguns aspectos associados à inovação tecnológica foram determinantes.

As novas tecnologias que desenvolvemos na área de diagnósticos, o novo modelo de negócios na área hospitalar e de equipamento médico foi muito importante para que transformássemos uma grande ameaça numa oportunidade.

Mas há outro aspecto muito relevante que é o apoio com que as gestoras são capazes de reagir rapidamente juntamente com as empresas. A disponibilidade e a ação proativa são muito importantes.

Piero Rosatelli – O setor de atuação, no nosso caso específico do B2B, está permitindo que as empresas operem digitalmente, tanto em trabalho remoto de dezenas de milhares de funcionários, e cada vez mais no tocante ao consumidor.

Como engajá-lo de forma 100% digital agora, seja no ciclo de descobrir o seu serviço, de venda propriamente dita ou de entrega. E isso não ocorre só em tempos de crise da Covid19. A gente viu isso na crise brasileira, na crise global.

Os múltiplos de empresas de software como serviço listadas nas bolsas americanas estão 25% maiores do que pré-pandemia. Uma parte disso se explica pelas baixas taxas de juros, mas outra parte, com certeza, são as soluções que permitem as empresas trabalharem de forma digital.

Mas tem também uma parte de gestão deste modelo de negócios eficiente pelo ponto de vista de capital.  As empresas B2B têm margem bruta na fase inicial e não precisa necessariamente de grandes rodadas de investimento a cada ano para crescer.

Mauricio Lima - O setor em que estas empresas atuam impõem modelos de gestão diferentes. Não podemos ter empresários tradicionais como gestores.

Para nós está muito claro que, como é um setor muito agressivo, que muda muito rápido, competidores entrando e saindo o tempo inteiro, estes empresários desenvolveram uma capacidade muito interessante de reagir a estas mudanças rápidas.

Quando a gente enfrenta uma pandemia, um cenário muito caótico e complexo, as respostas que essas empresas dão são muito inteligentes e rápidas, que conseguem rapidamente corrigir os rumos das operações.

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Mesmo com a pandemia, a indústria de Venture Capital está conseguindo captar recursos para empresas investidas e novos fundos?

João Paulo Poiares Baptista – o processo de captação para as empresas que precisam está funcionando de forma bastante eficaz. Não percebemos nenhum impacto. Semana que vem vamos assinar um acordo de investimento de um fundo americano em uma de nossas empresas. Talvez porque o segmento (saúde) em que estamos as empresas têm chamado muita atenção.

Em relação a novos fundos, estávamos em processo de captação no final do ano passado e neste momento estamos retomando. O contato e o interesse voltaram, fundamentalmente com investidores com quem já estávamos conversando. Está muito claro que o processo de captação com novos investidores vai ficar mais para frente.

Piero Rosatelli - Adaptação é a palavra da vez. A última captação que fizemos foi uma relação que começamos com um investidor americano em fevereiro, 100% via Zoom. A gente não contava com este tipo de dinâmica neste mercado em que a captação envolve uma relação iniciada de três a cinco anos antes e necessariamente presencial.

De março para cá, dois investidores aumentaram a alocação no nosso último fundo, o que significa tanto uma validação da resiliência da tese de investimento na crise quanto o apetite geral por fundos que miram retorno absoluto alto em um horizonte de 7 a 10 anos, especialmente neste cenário de juros baixos globais.

Houve um certo hiato de março a abril, mas já vemos uma volta à normalidade e uma demanda maior visto a resiliência na crise. São pouquíssimos setores em se pode dizer que o mercado total crescerá nos próximos 12 ou 24 meses.

Maurício Lima – Tem dois cenários bem diferentes. Nossa base é 65% de investidores institucionais internacionais. Historicamente, Venture Capital e Private Equity representam até 15% do patrimônio deles e aqui a fatia ainda é muito pequena no portfólio.

São ativos de longos prazo que geram retornos fora da curva. Na prática, vemos o interesse dos investimentos crescendo para este tipo de ativo. A liquidez global é bastante grande, mas o investidor internacional está muito reativo com o Brasil.

Olhando para os Investidores locais, vimos uma mudança interessante na composição. Famílias e investidores privados que olhavam muito para renda fixa, por conta das taxas de juros muito altas, demonstram maior interesse em entrar neste tipo de ativo. Fundos de pensão, especialmente os menores, e os privados, já se moveram nesta direção.

Superados os desafios iniciais da pandemia, a perspectiva de retorno e os seus prazos sofrerão impacto?

Piero Rosatelli – Em relação a prazos, a gente tem um alongamento de pelo menos seis meses em fundos que estavam no processo de desinvestimento. Talvez seja o maior efeito negativo da crise.

Na prática, você espera a liquidez voltar e os compradores estarem aptos a tomar uma decisão de investimentos significativa.  Neste processo, você se beneficia do crescimento na crise. É possível que este ativo saia mais bem avaliado. O retorno anualizado não esperamos que mude.

Maurício Lima – Trabalhamos para assegurar a sobrevivência e a capacidade de investimento delas neste ciclo, o que vemos é alongamento do interesse dos potenciais compradores. Estão mais preocupados em olhar para dentro do que fazer uma movimentação estratégica.

Estas empresas, na nossa visão, vão gerar uma rentabilidade mais interessante quando começarmos o processo de venda daqui a oito ou 10 meses.

João Paulo Poiares Baptista – Nossos segmentos são diferentes, mas minha percepção é exatamente igual. Está ficando cada vez mais claro que do ponto de vista da taxa interna de retorno (TIR) vai ser maior.

O crescimento das empresas aconteceu de forma mais rápida, a consolidação delas também. Por outro lado, percebemos que outros players do setor de saúde saem fragilizados da crise, com necessidade de se estruturar.

No nosso caso, o impacto foi positivo por conta do grau de inovação muito grande no modelo de negócios. No ambiente brasileiro, isso nos catapultou.

Os investidores estratégicos acabaram sentindo muito mais negativamente a crise do que nós. Acho que teremos um delay nos movimentos de desinvestimento que poderá chegar a um ano, mas sempre podem acontecer surpresas.

 Comunicação Social da FUNCEF

Tags: dipar funcef fundos de pensão investimentos investimentos estruturados private equity venture capital

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