Logo funcef

Investimentos

Fundos projetam muitas oportunidades em private equity no pós-crise

Webinar organizado pela Diretoria de Participações Societárias e Imobiliárias da FUNCEF reuniu 180 participantes nesta sexta (29)

29 de Maio de 2020

A Diretoria de Participações Societárias e Imobiliárias da FUNCEF abriu, nesta sexta-feira (29/5), às 10h, uma série de webinars para discutir o impacto da pandemia da Covid-19 no mercado financeiro.

Tendo como foco os ativos em private equity (PE) – investimento de longo prazo em empresas não listadas na Bolsa –, o evento registrou uma audiência de 180 pessoas.

Ao longo de pouco mais de uma hora, Alexandre Campos, sócio da NEO Investimentos, Cristiano Lauretti, CEO e sócio do Kinea Private Equity, e Luís Fernando Lopes, sócio e economista-chefe do Pátria Investimentos, analisaram o cenário atual do mercado.

O trio concordou que o impacto da crise foi menor do que o esperado para o portfólio de PE, apontaram setores mais e menos afetados e destacaram as oportunidades que surgirão no médio prazo.

 

“A troca de informações traz para nós mais clareza para os cenários que a FUNCEF está construindo no dia a dia”, afirmou a diretora de Participações Societárias e Imobiliárias da Fundação, Andréa Morata Videira, uma das mediadoras do evento.   

O próximo evento, que abordará o impacto da pandemia nos ativos imobiliários, está marcado para 5 de junho, das 14h às 15h, no mesmo formato.

Abaixo, seguem os principais trechos da conversa.

Quais os setores mais prejudicados e os que mais despontaram na pandemia?

Luís Fernando Lopes – A gente divide nossos fundos de longo prazo em dois grupos: private equity de infraestrutura, quando o maior valor da empresa vem dos ativos físicos, e o clássico quando o maior valor da empresa vem da prestação de serviço. 

Esta crise não teve impacto na nossa rentabilidade do primeiro trimestre em relação ao trimestre anterior. Nos negócios ligados ao agronegócio, houve uma melhora acentuada. É um dos setores que mais se expande e está puxando a recuperação do Brasil como um todo.

Ativos de energia elétrica, principalmente os de transmissão, também tiveram uma performance muito boa. O mesmo vale para TI. Os problemas mais sérios na área de infraestrutura foram de setores que dependem da atividade industrial ou de segmentos que tiveram desaceleração muito forte. 

Na área de PE clássica, o exemplo mais interessante é o segmento de saúde. Os negócios que já mostravam resiliência muito grande no ciclo econômico maior, mostraram uma resiliência ainda maior agora.

O desafio é um pouco maior para as plataformas relacionadas ao mercado imobiliário, principalmente relacionadas a escritórios. A demanda caiu bastante, é um segmento que tem um ponto de interrogação e talvez tenha que se reestruturar.

dipar_luis.jpg

Este é o melhor momento para ir ao mercado atrás de oportunidades?

Alexandre Campos. Nossas ações se concentraram em mitigar impactos negativos e foram divididas. A crise vai proporcionar grandes oportunidades.

No momento de dificuldade, empresas passam a ver mais valor em um gestor que vai ajudá-las a fazer uma mudança estratégica. Oportunidades virão, mas é preciso ter muita cautela no curto prazo. É muito difícil de fazer valuation no olho do furacão. É hora de ter paciência.

Quais setores vão se recuperar mais rápido?

Cristiano Lauretti - Metade do nosso fundo atual já foi investido em setores mais defensivos: saúde, educação e tecnologia. Nosso foco agora está sendo olhar com cuidado para valuations já depreciados em relação há seis meses. A gente vê muitas companhias boas precisando de capital e este é o momento de entrar.

Private equity é um produto com risco, mas quando se compara o histórico de retorno nos EUA, Europa e Ásia, sempre performa melhor do que renda variável.

Neste momento, achamos que é possível investir a outra metade do fundo, nos próximos 12 ou 18 meses, em empresas que vão surfar a onda da retomada e crescer mais, companhias que antes não conseguiriam ter uma discussão de valuation porque o mercado de capitais estava muito aquecido. Agora, diversas empresas precisam de capital porque querem crescer.

dipar_cristiano.jpg

Como vai ser a recuperação do Brasil em relação ao resto do mundo?

Luís Fernando Lopes - partes da economia já estão se recuperando agora. O agronegócio sem dúvida, que tem 77% do negócio nas regiões Sul e Centro-Oeste. A questão é quanto tempo demorarará para o resto da economia  – o Sudeste que é mais urbano e industrial, e o Nordeste e Norte – engatar esta recuperação.

Também ajuda o Brasil o canal de comercio exterior, porque, no mundo, quem está se recuperando em trajetória bastante clara é a Ásia. E nosso grande parceiro comercial é a China. Neste sentido, temos condições de ver partes da economia reagindo neste segundo trimestre.

A fotografia do Brasil como um todo na comparação não vai estar tão bonita, mas aí a arte do investimento vai ser olhar pedaços da foto com histórias muito diferentes da média geral, tanto em termos de regiões quanto em indústrias e ativos específicos, que provavelmente já estarão dando sinais bem interessantes neste segundo trimestre e avançando neste segundo semestre.

Alexandre Campos - O mercado de PE no mundo que cresce bastante, é um mercado relativamente jovem, mas que tem quase US$ 4 trilhões em tamanho e vem consistentemente batendo todos os investimentos em renda fixa e variável. Seu retorno médio é quase o dobro do S&P (índice que mede a performance das ações de 500 grandes empresas listadas nos EUA).nos últimos 30 anos.

No Brasil, private equity é um mercado estimado em R$ 150 bilhões, o que equivale a 0,2% do PIB, um décimo do que se  vê nos mercados desenvolvidos.

Vejo com muito otimismo a possibilidade de crescimento contínuo deste mercado, dado que oferece retornos superiores. Obviamente tem risco, não é uma renda fixa, existem várias complexidades. O mais importante é que para gestores consistentes, existe um espaço de crescimento imenso.

A gente olha muito empresas de médio porte, com faturamento entre R$ 100 milhões e R$ 1 bilhão. São 17 mil empresas no Brasil.

Para terminar, há um desconto de preço em relação aos mercados lá fora. Temos múltiplas oportunidades para este mercado no Brasil.

dipar_alexandre.jpg

 

Comunicação Social da FUNCEF

Tags: dipar funcef fundos de investimento fundos de participação investimentos private equity

Mais notícias