Carta do gestor FUNCEF

Carta de Gestão de Investimentos 002 -
2º semestre de 2025

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Cultivar com equilíbrio é o segredo

Olá, participante!

Investir no longo prazo é muito parecido com cultivar a terra. Não controlamos as condições do tempo ou as estações do ano, mas podemos preparar o solo, controlando sais minerais, vitaminas e outros nutrientes indispensáveis, além de monitorar o clima. O sucesso do agronegócio brasileiro é fruto de muita tecnologia, ciência e trabalho, e não de um solo mágico que “tudo dá”.

Os mercados financeiros funcionam assim: movem-se em ciclos. Há momentos de variáveis climáticas favoráveis, mas também períodos de instabilidade, eventos extremos e pragas desafiadoras. O que diferencia uma boa safra não é torcer por chuvas no tempo certo, mas ter uma estratégia bem definida e um portfólio preparado para diferentes cenários.

Em 2025, seguimos exatamente essa lógica. Não tentamos adivinhar se choveria mais fora ou dentro do país. Nosso foco esteve no manejo técnico: ações disciplinadas para potencializar as condições de solo e clima, pensando na maior produtividade.

Isso nos permitiu atravessar as diferentes fases do mercado ao longo do ano com equilíbrio, preparados tanto para ciclos de alta (os famosos bull markets, representados pelo touro que investe para cima) quanto para ciclos de baixa (bear markets, quando o urso “ataca” para baixo).

Mais do que prever movimentos, buscamos estar posicionados para capturar oportunidades quando elas surgem.

O cenário: as condições climáticas mudam, e mudam rápido

Se 2024 foi marcado por chuvas mais intensas no mercado doméstico, 2025 se consolidou como um ano positivo, mesmo em um contexto de juro elevado. O cenário internacional permanece com tensões políticas e risco geopolítico elevado. O dólar perdeu força frente a diversas moedas, e esse movimento teve reflexos importantes para o Brasil.

Parte do capital internacional passou a buscar oportunidades em mercados emergentes, e o Brasil se tornou destino desse fluxo. A entrada de recursos estrangeiros contribuiu para a valorização do real e impulsionou a bolsa brasileira ao longo do ano.

O investidor estrangeiro, muitas vezes, ajuda a definir as variáveis climáticas por aqui. E há uma razão para isso: o mercado brasileiro é importante, mas pequeno em comparação aos grandes centros financeiros globais. Fluxos que, lá fora, representam apenas mais um movimento, aqui podem alterar de forma significativa os preços dos ativos.

O ponto central é que é extremamente difícil prever quando o capital externo vai entrar ou sair do país, pois são decisões que dependem muito mais das condições globais do que fatores locais.

Por isso, as estratégias dos planos se apoiam na construção de um portfólio equilibrado (asset allocation), com exposição adequada às diferentes classes de ativos. Assim, quando o tempo não ajuda, não precisamos correr atrás dele porque nós já estamos posicionados para aproveitar.

Cada plano possui características próprias. Sendo assim, a forma como esse cenário se refletiu nos resultados varia de acordo com seus objetivos e estrutura, como explicamos a seguir.

Estratégias e resultados: como a FUNCEF preparou o solo de cada plano

REG/Replan

Manejo seguro: imunização, estabilidade e foco no pagamento de benefícios

Esses planos, mais maduros e com grande parte dos participantes já aposentados, exigem um manejo do solo com segurança, estabilidade e fluxo previsível. Nas condições de clima do Brasil, isso é difícil. O foco aqui não é uma única colheita. É entregar, mês a mês, os compromissos assumidos com os nossos milhares de participantes.

Desde 2022, temos reestruturado essas carteiras. Reduzimos a exposição a ativos mais voláteis e ampliamos a alocação em títulos públicos federais que serão mantidos na carteira até o vencimento (marcados na curva, no jargão do mercado), por oferecerem previsibilidade de retorno, proteção contra a inflação e alinhamento com o fluxo de pagamento dos benefícios.

Essa estratégia é conhecida como imunização do passivo, combinada ao casamento de fluxo de caixa. Em termos simples, nós buscamos estruturar a carteira de forma que os ativos “conversem” diretamente com as obrigações do plano.

Hoje, mais de 73% da carteira desses planos está alocada nestes títulos públicos marcados na curva. Ao todo, mais de 84% dos recursos estão concentrados em renda fixa. A exposição à renda variável foi reduzida para a casa dos 2%, respeitando o perfil de baixa tolerância ao risco do REG/Replan.

O resultado dessa mudança estrutural é percebido pela maior previsibilidade na colheita dos investimentos. A volatilidade das carteiras segue em patamar inferior a 2%. Estabilidade e previsibilidade são pilares fundamentais para planos com elevado fluxo de pagamento de benefícios.

Aqui, não é necessário prever se haverá ou não entrada de capital estrangeiro, nem depender de movimentos mais intensos de mercado. O foco é equilíbrio, aderência ao passivo e consistência.

O resultado da safra 2025

Apesar de impactos contábeis relacionados a alguns ativos específicos, o REG/Replan superou a meta atuarial em suas duas modalidades (Saldado e Não Saldado) no período. Esse resultado reforça a consistência da estratégia adotada.

Além disso, a rentabilidade acumulada desde 2018 demonstra que os investimentos vêm apresentando bom desempenho ao longo de diferentes ciclos de mercado. Em resumo, as sementes escolhidas estão bem adaptadas ao clima e ao solo.

Novo Plano e
REB (ativos)

Rotação de culturas para manter a alta produtividade

Nos planos CD, o objetivo é acumular o maior saldo possível para sua aposentadoria, sempre respeitando o apetite a risco adequado. Por isso, também é importante a exposição a ativos de risco, que tendem a proporcionar um retorno mais elevado. No turbulento clima brasileiro, isso exige uma gestão mais dinâmica, que aproveite oportunidades de mercado, sem perder o foco na alocação estratégica e no longo prazo.

Durante o ano, realizamos três movimentos estratégicos relevantes. O primeiro foi a reclassificação de parte dos títulos públicos (NTN-Bs), eliminando sua variação de preço. O segundo foi a venda de títulos com vencimento de curto prazo para a compra de títulos mais longos, que serão mantidos na carteira até o vencimento (marcados na curva). E, por fim, realizamos ganhos na nossa carteira de ações, após forte valorização da Bolsa, e utilizamos os recursos para comprar títulos públicos marcados na curva.

Foi como fazer a rotação de culturas, uma técnica que alterna, de maneira ordenada e planejada, diferentes plantios em uma mesma área em um determinado período, mantendo a produtividade e garantindo a sustentabilidade da lavoura.

E agora? Isso significa que ficaremos de fora caso a bolsa continue subindo? Claro que não.

O portfólio dos planos segue com exposição a ativos de risco compatível com os objetivos de retorno de longo prazo dos planos. O que fizemos foi buscar um equilíbrio maior entre risco e retorno, com foco na construção eficiente da nossa reserva previdenciária.

Se as variáveis climáticas continuarem favoráveis aos ativos de risco, estaremos posicionados para participar. Se o cenário mudar, a carteira estará mais preparada para absorver oscilações.

O resultado da safra 2025

O excelente desempenho das classes de ativos com maior nível de risco foi fundamental para o resultado dos planos no ano. Conseguimos superar, com margem relevante, os índices de referência estabelecidos.

Em um ambiente de constantes mudanças climáticas, manter a perspectiva de longo prazo e a exposição equilibrada a diferentes fontes de risco é o que permite atravessar ciclos com segurança.

Nossa equipe de investimentos segue atenta aos movimentos do mercado financeiro, corrigindo e adubando o solo sempre que necessário para aproveitar as oportunidades que surgem.

Uma pausa rápida para falar deste tal de asset allocation

Asset allocation é a forma como decidir o que plantar em cada pedaço da propriedade. Parte da terra recebe culturas mais resistentes, que garantem a colheita essencial. Outra parte pode receber sementes que crescem mais, mas também dependem mais do clima. O equilíbrio entre essas escolhas é o que sustenta a produção ao longo dos anos.

Novo Plano e
REB (assistidos)

Sementes adaptadas a grandes variações climáticas

Algumas sementes são resistentes a condições climáticias extremas. Com quase 90% do patrimônio alocado em títulos públicos federais que serão mantidas na carteira até o vencimento (marcados na curva), o Novo Plano e REB BD foram pouco afetados pelos eventos mais intensos do ano, mesmo os positivos.

E isso é proposital, pois a estratégia mira a estabilidade, não o excesso de retorno. A prioridade aqui é garantir que os recursos estejam disponíveis na hora certa, todos os meses, para quem já está recebendo a sua aposentadoria ou pensão.

O resultado da safra 2025

Os resultados refletem o bom desempenho dos títulos públicos marcados na curva, ativos que caminham com estabilidade ao longo do tempo, protegidos das oscilações diárias do mercado.

As perspectivas seguem positivas. Com uma carteira composta majoritariamente por ativos de alta previsibilidade, a tendência é de rentabilidade consistente, baixa oscilação (volatilidade) e alto grau de segurança financeira. Isso reforça a capacidade desses planos de honrar seus compromissos, pagar benefícios em dia e manter o equilíbrio de longo prazo.

Perspectivas: buscar equilíbrio em um clima instável

O cenário deve seguir desafiador. A incerteza fiscal, a política monetária restritiva e possíveis chuvas de granizo do cenário internacional continuam no radar. Ainda assim, seguimos confiantes que nossos planos estão bem-posicionados. O solo está bem nutrido e preparado.

Para os planos de Contribuição Definida, seguiremos em busca por boas sementes com disciplina e visão de longo prazo. Para o REG/Replan, continuaremos avançando na imunização do passivo, garantindo que os frutos sejam colhidos nas estações certas, ou seja, que os recursos estejam disponíveis no momento certo, com o menor risco possível.

A Diretoria de Investimentos e Participações, juntamente com as demais diretorias da Fundação, está comprometida com a sustentabilidade dos planos, com a boa gestão dos investimentos e, principalmente, com a clareza na comunicação o participante. Essa carta é um convite para que todos acompanhem o crescimento da lavoura e confie no manejo técnico feito por aqui.

Seguimos firmes na lida, cultivando de maneira sustentável o seu futuro!

Até a próxima carta,

Diretoria Executiva da FUNCEF